Se o tempo ajudar, o governador José Serra começa daqui a pouco, na região de Rio Preto, sua campanha rumo ao Planalto. Ele vem à cidade inaugurar o Poupatempo. A festa está prevista para começar às 15h30 e o local não poderia ser mais apropriado, em frente o Mercado Municipal.
Apesar da inauguração estar prevista desde o ano passado, Serra sabe que tem de por a banda na rua se não quiser ficar assistindo o presidente Lula e sua candidata Dilma Rousseff ganharem a eleição.
Ontem, Lula e Dilma, acompanhados de oito ministros, discursaram para 6.000 pessoas, em Salgueiro, interior de Pernambuco. Em clima de campanha eleitoral, eles foram até a Estação do Forró inaugurar uma ordem de serviço para o início da segunda fase da ferrovia Transnordestina.
Em Rio Preto, Serra estará acompanhado do secretário Aloysio Nunes Ferreira Filho -- pré-candidato a governador --, do presidente da Codasp, Edinho Araújo e do prefeito Valdomiro Lopes. Ontem, os partidos da base do governador passaram o dia disparando telefonemas para ver se hoje a platéia dá quórum. Lula reuniu 6.000. Serra vai reunir quantos?
De volta ao Bandeirantes
Com 84% de aprovação, Lula e Dilma começam a apavorar os tucanos. Já tem gente dizendo que diante das dificuldades de vencer a dupla petista, Serra jogaria Aécio Neves para a disputa presidencial e garantiria seu retorno para o Palácio dos Bandeirantes. Ele é praticamente imbatível na disputa estadual. Nesse caso, os planos de Aloysio de ocupar o cargo de governador de São Paulo iriam por terra.
PMDB desconfiado
Esta semana, Orestes Quércia disse a um político rio-pretense que as negociações com o PSDB não vão bem. Ele quer sair candidato a senador com o apoio dos tucanos. Em troca, o PMDB paulista fecharia com Serra. Porém, na análise do ex-governador a situação está se complicando para Serra. Além disso, a candidatura de Quércia ao senado não é unanimidade dentro do PSDB.
Pugilato
A cena de pugilato proporcionada pelos vereadores Dinho Alahmar (PSB) e Jorge Menezes (DEM), no gabinete do prefeito Valdomiro Lopes, lembra os melhores momentos da administração Liberato Caboclo. Pelo que dá a entender, Dinho só votou em Menezes para presidente porque este lhe prometeu o cargo de diretor de finanças da Câmara. Como não quis cumprir a promessa levou uns sopapos. O surreal da história é que ela se passa no gabinete de Valdomiro, que pelo visto também está envolvido nessa negociação. Seu chefe de gabinete, Alex Carvalho, que deveria intermediar um acerto entre os dois, o máximo que conseguiu foi demonstrar sua vocação para juiz de luta de boxe.
E o governador José Serra (PSDB-SP) ficou com ciúme da campanha aberta que o presidente Lula está fazendo com a ministra Dilma Roussef embaixo do braço. Como não tem PAC, lançou um ridículo pacote anticrise (já sem hífen), como se São Paulo pudesse se livrar sozinho da tormenta financeira que anda abalando o mundo.
Vamos e convenhamos. Se os 3 trilhões de dólares dos EUA (somando os planos Bush e Obama) e mais o 1 trilhão de euros da União Européia não fizeram nem cócegas no mercado, imagine esses 20 bilhões de reais do governo paulista…
Já que o tucano podia dar uma mãozinha às empresas nesse momento difícil, que o fizesse. Mas convocar uma coletiva de imprensa nacional e anunciar isso como pacote anticrise (ver detalhes na apresentação abaixo)… Ridículo!
O PSDB serrista parece ter percebido que não poderá ficar escondido na toca, só esperando chegar o dia em que a Presidência lhe cairá inevitavelmente no colo
Pelo jeito, esta será uma longa, muito longa campanha eleitoral. O PT precisa tornar conhecida a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, precisa movimentar-se para impedir que a inércia transforme a candidatura José Serra num fato consumado dentro do PSDB. E o governador de São Paulo tampouco pode ficar assistindo passivamente à ocupação de espaços pelos adversários, internos e externos.
Em tese, uma campanha curta e não polarizada seria ideal para Serra, que dispõe hoje de vantagem nas pesquisas de intenção de voto para 2010. Tratar-se-ia simplesmente de escolher um administrador capaz de continuar o que o governo Lula vem fazendo de certo, de fazer o que não vem sendo feito e de corrigir o que está errado. O discurso com que Serra derrotou a petista Marta Suplicy na corrida municipal de 2004 em São Paulo.
Mas nessas coisas é conveniente sempre antes combinar com os adversários. Já advertia Garrincha, um grande piadista, na brincadeira que fez com o técnico Vicente Feola nos vestiários da partida contra a Rússia na Copa do Mundo de 1958. E, já que nem Aécio nem Dilma parecem conformados com o papel de estender desde agora um tapete vermelho para que Serra suba a rampa no Planalto, o PSDB serrista parece ter descoberto a necessidade de sair da zona de conforto e ir à luta.
Quem torce por uma campanha curta dirá que desencadear agora a sucessão pode gerar paralisia administrativa e prejudicar o país. Já quem precisa se vitaminar no grande público dirá que quanto mais informação for dada ao eleitor, melhor. Que um eleitor bem informado vota de maneira mais consciente. Na política, como se sabe, há argumentos para todos os gostos. E para todas as conveniências.
Os últimos movimentos da ala hegemônica do tucanato, retratada no ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, refletem a constatação de que o PSDB não poderá ficar escondido, só esperando o dia em que a Presidência lhe cairá inevitavelmente no colo. Se quiserem chegar lá, os tucanos precisarão antes amassar barro, respondendo em primeiro lugar à seguinte pergunta: no que um Brasil governado pelo PSDB seria melhor do que o Brasil governado pelo PT?
O PSDB vem fugindo desse debate como o diabo foge da cruz. Só que, por mais que corra, dele não conseguirá escapar. É o que se escreve neste espaço desde tempos imemoriais. Os tucanos não têm conseguido fazer oposição programática ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Talvez porque Lula tenha incorporado boa parte do discurso do PSDB em assuntos como o controle da inflação e a responsabilidade fiscal. Ou os tucanos corrigem isso ou correm um risco enorme de ficar a ver navios no cais, enquanto a nau petista zarpa para um novo cruzeiro.
O quadro para o PSDB é complexo. Em entrevista esta semana a um canal de televisão, Dilma colocou na mesa a carta da reforma do Estado. Aumentar a eficiência da máquina pública. Com o movimento, a ministra prepara o ataque a uma das últimas fortalezas do discurso tucano. É uma manobra arriscada, mas compreensível: se tomarem a posição, as tropas do dilmismo terão reforçado o flanco e consolidado a sua defesa.
Se o PSDB for inteligente, buscará transformar o limão numa limonada. O PSDB perdeu nos últimos anos a oportunidade de construir socialmente uma agenda própria. Mas quem sabe se a disputa interna no tucanato não produz agora algo de útil? Uma ideia nova para o Brasil. Uma inspiração para despertar energias sociais hoje contidas.
O mundo mudou muito desde o início dos anos 1990, quando o PSDB se consolidou como força política. Naquela época, por exemplo, controlar o fluxo de informação era bem mais possível do que agora. Nos nossos dias, ou o sujeito mergulha na rede e trava a luta de ideias de maneira sistemática e contumaz ou então está fora da partida.
Nesse aspecto, o PT e o governo parecem mais adaptados à contemporaneidade do que o PSDB. Mas os tucanos têm massa crítica, intelectualmente falando, para equilibrar o jogo. Desde que queiram jogá-lo. Ou então podem continuar como estão: mirando obsessivamente o próprio umbigo, incapazes de projetar ideias que interessem de fato ao cidadão comum. Imbuídos da convicção de que mais dia menos dia estarão de volta ao poder. Por uma espécie de direito divino a ele.
Coluna (Nas entrelinhas) publicada hoje no Correio Braziliense.
A nova secretária de Educação, Telma Vieira, apagou diversas promessas e discursos feitos pelo prefeito eleito Valdomiro Lopes (PSB) durante a campanha eleitoral deste ano. Telma, que será empossada no próximo dia 1º de janeiro, rechaçou propostas como adaptar imóveis residenciais em creches, adotar o modelo de creche existente em São Vicente, implantar equipamentos públicos em loteamentos irregulares e estender programas como o Ler e Escrever para toda a rede municipal. Telma, que é ex-professora do Ibilce, afirmou que não há déficit de vagas em creches em Rio Preto e que o analfabetismo dentro da sala de aula se trata de casos pontuais, o que contradiz discurso apresentado por Valdomiro em seus programas eleitorais.
Déficit zerado
"A demanda (de vagas em creche) está zerada. Existem crianças (fora da creche) e vagas distantes (dos bairros em que elas moram)", disse a futura secretaria.
Imóveis residenciais
Quanto à adaptação de imóveis, Telma afirmou que precisa ser feita com cuidado. "Não pode ser uma adaptação qualquer", afirmou. "Não é simplesmente alugar uma casa e colocar as crianças."
A proposta de transformar imóveis residenciais em creches é baseada na cidade de São Vicente, onde as unidades foram apresentadas por Valdomiro em programa eleitoral como modelo a ser implantado em Rio Preto.
Loteamentos irregulares
A secretária ainda descartou a possibilidade de implantar creches ou escolas nos loteamentos irregulares, como prometido por Valdomiro em campanha eleitoral. Segundo ela, primeiro é necessário que o loteamente seja regularizado, com uma área destinada especificamente para o setor educacional. "Os loteamentos irregulares não têm área prevista para o setor da educação, e construir em terreno irregular seria pior ainda."
Ler e Escrever
"Colocar o segundo professor na sala de aula é uma alternativa de alto custo. Talvez implantaremos em salas pontuais, nas mais deficientes. Esse projeto não tem como ser implantado em toda a rede municipal", disse Telma.
Fukassawa descarta obras em loteamentos irregulares
O novo secretário de Habitação de Rio Preto, Fernando Fukassawa, afirmou ontem que a Prefeitura não irá construir equipamentos públicos nos loteamentos irregulares, como prometeu o prefeito eleito Valdomiro Lopes (PSB) durante a campanha eleitoral. "Isso é ilegal", decretou.
Programa Cidade Legal
Apesar de Valdomiro Lopes ter prometido em campanha usar o Programa Cidade Legal para regularização os 108 loteamentos existentes no município. O novo secretário afirmou ainda que as ações contra os loteadores continuarão na Justiça. "Iremos promover a fiscalização e fazer a contrapropaganda para que outros loteamentos surjam na cidade de maneira ilegal", afirmou Fukassawa.
Há 41 anos na polícia, atualmente delegado seccional em Limeira (280 mil habitantes), o futuro secretário de Trânsito de Rio Preto (420 mil habitantes), Aparecido Capello, pretende "lutar" para que a Guarda Municipal use armas de fogo.
Retirar os ônibus da área central
O que o senhor pretende fazer para melhorar o trânsito?
Capello -O trânsito no horário de pico é caótico. Ainda preciso conhecer melhor a secretaria para definir, mas uma coisa é retirar ônibus da área central.
Guarda vai para o trânsito, mas não multa?
A Guarda vai para a sua secretaria e a Justiça permite aplicação multas. A corporação vai multar motoristas?
Capello -A Guarda vai cuidar do patrimônio público. Não haverá multa. Pode até orientar o trânsito, mas sem bloco de multas na mão. Prometo que a Guarda não vai multar.
Guarda armada
A lei permite uso de armas. O senhor é favor?
Capello - Vou lutar para que isso aconteça. Com o crime organizado que existe hoje, é incabível um guarda fazendo segurança numa praça sem arma. Vamos embutir na cabeça dos agentes que arma é defesa. E sempre vamos atuar em parceria com as polícias Civil e Militar. Em várias cidades a guarda usa armas, como instrumento de defesa..
Dobrar o número de agentes
Valdomiro Lopes prometeu dobrar o número de agentes (atualmente são 62 guarda). É possível?
Capello - É possível fazer isso em menos de quatro anos. Estou em Limeira, onde a Guarda tem 350 homens. e é queridíssima pela população. Temos de valorizar nossos guardas, estimular. Em virtude das críticas pelas multas eles ficaram desmotivados.
Semáforos desligados
Semáforos devem ser desligados
O futuro secretário de Trânsito defende que os semáforos da cidade sejam desligados de madrugada. De acordo com Aparecido Capello, a medida é adotada em Limeira, onde é delegado seccional há dois anos, para reduzir casos de violência.
"Os semáforos ficam desligados desde à meia-noite até as 6h. Pretendo fazer isso, mas depende de aprovação de Valdomiro e também da sociedade. É uma proposta que deve ser discutida com a sociedade."
Dulce com Carmem Miranda, de Mirassol para Hollywood
Ignácio de Loyola Brandão
A morte de Dulce Damasceno de Brito não teve muita repercussão na imprensa. Uma pena, pelo que ela significou. Poucas notas, pouquíssimas. Somente o Estado deu destaque. Muitos, principalmente de gerações mais novas, estarão perguntando: quem é Dulce? No entanto, os mais velhos lamentarão, porque sabemos que foi ela quem nos introduziu nos bastidores da Hollywood dos anos 50 e 60. Como esquecer as fotos em que aparecia Troy Donahue (teve galã maior, depois de O Candelabro Italiano, que celebrizou a canção Al Di Lá? ) e Dulce? Tyrone Power, o homem mais bonito do cinema, e Dulce? Lauren Bacall e Dulce. Susan Hayward e Dulce. Como? Dulce estava em todas as fotos? Estava. Era a sua marca.
Vivia-se uma época na imprensa em que não havia o gravador e os jornalistas, para comprovarem que tinham entrevistado determinada personalidade, eram obrigados pelas chefias a tirar uma foto com a pessoa. Cansei de fazer isso na Última Hora, tenho fotos com Juscelino, Giulietta Masina, Sammy Davis Jr., Kim Novak, Carlos Lacerda...
Ela teve a coluna mais lida sobre cinema em seu tempo. Adorávamos ver Dulce ao lado de nossos ídolos. Porque a invejávamos. Ela estava em Hollywood, nosso sonho. Quando digo nosso, digo de muitos de minha geração e da que veio a seguir, porque Hollywood conservou seu status e glamour por um bom tempo. Ser correspondente dos Diários Associados, a maior rede da imprensa brasileira, foi algo que Dulce, nascida em Casa Branca, crescida em Mirassole Mogi-Mirim, conseguiu no tapa, na cara dura. Ela queria porque queria ir para Hollywood e convenceu quem? Despachada, pegou no pé de Assis Chateaubriand que finalmente a mandou para lá. Em 1952, Dulce estava na "meca do cinema", uma expressão cafona para uma cidade encantadora, louca, chata, misteriosa, fascinante, doida, sem igual.
Eu lia O Cruzeiro e seguia a coluna do Alex Viany, comunista do Partidão que, todavia, babava pelo cinema americano e fazia uma cobertura boa, era intelectual, culto e ideólogo. Mas confesso que quando Dulce assumiu seu posto, preferi Dulce. Porque ela era - e sempre confessou sem escrúpulos - mais fã do que os fãs. Ela fazia o que gostaríamos de fazer. Entrevistar Kim Novak, Rita Hayworth, Greer Garson, Carmem Miranda (de quem foi a amiga íntima, estava na casa dela na noite de sua morte), Gregory Peck, Marlene Dietrich, Audrey Hepburn, Sofia Loren, James Dean.
Gente, Dulce conheceu James Dean, falou com ele. O ídolo de minha geração, jamais igualado. Por que Dulce nos conquistava? Porque manteve em Hollywood o jeitão caipira, com seus tailleurzinhos de coquetel em Casa Branca, penteados para ir à domingueira no clube de Mirassol. Ou chapeuzinhos bregas. Mas essa era a sua marca. Ela era de uma inocência que encantava. O seu sorriso ao lado dos astros, e eram todos superastros, seria o nosso sorriso, nosso embevecimento.
Ela adorava aquela Hollywood que não existe mais. Uma cidade fantasia, onde tudo era fake, até mesmo os romances, como o de Rock Hudson e sua mulher, num casamento arranjado pelo estúdio para mostrar que ele não era gay. Naqueles anos, Dulce jamais citou qualquer possibilidade de um ator ser gay, ter tendências. No entanto, felizmente, nos últimos anos de sua vida, decidiu e publicou um livro precioso, Lembranças de Hollywood, numa edição de luxo da Imprensa Oficial do Estado, dentro da Coleção Aplauso. Quem não conhece essa coleção, não sabe o que perde. Nela, ao lado de livros como esse, que recuperam uma época, encontramos todos os grandes nomes do teatro e do cinema brasileiro.
Nesse livro, Dulce abriu a guarda. Se naqueles tempos em que viveu lá o mundo era outro, desta vez ela teve coragem suficiente para revelar manias e idiossincrasias, a sexualidade de uns e outros, a decadência de vários. Esse é um mundo que não voltará a ser o mesmo. O glamour desapareceu. O cinema hoje é outro, pé no chão, voltado para a realidade, enquanto aquele era o sonho, a fantasia, o delírio. Admito minha nostalgia em relação a isso. O que não quer dizer que eu não adore dezenas de filmes atuais e de atores e atrizes de hoje. Com Dulce Damasceno de Brito foi-se uma época que ela registrou com brilho. Na minha cabeça fica uma dúvida. Tenho certeza de que ela escreveu também para a Filmelândia. E a Cinelândia? No texto de abertura, ela não fala dessas duas revistas, mas lembro-me que a chamávamos de nossa Louella Parsons. Com a diferença (soubemos disso depois): Louella era arrogante, ditatorial, sacana, chantagista, mau-caráter, ainda que informada. Dulce era a simplicidade bem informada. Com a sua morte, foi-se um pedaço do tempo. E de nossa juventude. E de Hollywood.
Tudo tem a sua ocasião própria, e há tempo para todo propósito debaixo do céu. Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou; tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derribar, e tempo de edificar; tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar; tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de abster-se de abraçar; tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de deitar fora; tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar; tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz.
Nas férias, aproveitei para ler. Deixei o DVD de lado e, finalmente, me aprofundei na história de Olga Benário. O livro Olga, de Fernando Moraes, me fascinou. Os detalhes da vida da judia e comunista, que foi companheira de Luís Carlos Prestes e acabou assassinada nos campos nazistas, são emocionantes. A leitura me fez voltar ao passado, na casa da minha avó Elzea, em Curitiba.
Meu avô, o general Moisés Porfírio Sampaio, não tinha simpatia pelo comunismo -- ao contrário do filho, comunista convicto -- e viveu a "intentona comunista", de 1935. Minha avó sempre teve aversão aos comunistas, porque, para ela, os revolucionários de 35 mataram colegas militares, quando esses estavam dormindo. Entre eles, conhecidos do meu avô. O livro Olga traz essa passagem, mas segundo Fernando Moraes, essa história nunca foi comprovada. De qualquer forma, para a minha avó, o fato aconteceu. E ela sempre narrou essa história para os netos. Meu avô, nunca.
O Código da Vinci, uma decepção
Outro livro que li foi O Código Da Vinci, de Don Brown. Uma decepção. Essa história que Jesus Cristo não tinha poderes divinos e foi casado com Maria Madalena, mãe de seus filhos é super batida. Até hoje, nada foi comprovado. Acredito que os textos da Bíblia foram adaptados e refeitos ao longo dos séculos, mas daí a fazer afirmações sem comprovações não passam de especulações. Se bem que o livro é uma obra de ficção, ou seja, um livro policial bem dos sem graça.
Atualmente, estou lendo Querido Poeta - Correspondência de Vinicius de Moraes, organizada por Ruy Castro. Ainda estou no início e vou deixar os comentários para mais tarde.
Dois novos impressos
Deparei-me com duas novidades na área de jornalismo impresso em meu retorno a Rio Preto. A publicação semanal do tablóide Rio Preto News e o DHoje de domingo em formato germânico. Edson Paes já havia me falado sobre seus planos de transformar o Dhoje num jornal germânico. Pelo visto, optou por fazer uma experiência com as publicações aos domingo. Esmagado pela concorrência do Diário da Região e Bom Dia, o Dhoje procura encontrar um lugar ao sol. Torço para que o jornal encontre seu caminho. Todos ganham.
Janeiro Brasileiro da Comédia
Ricardo Milani "Janeiro da Comédia", o sucesso continua
Teatro para todos
Outra coisa boa que está acontecendo na cidade é o festival de teatro infantil "Apenas R$ 1,99 -- Em janeiro, Teatro para Criança é o Maior Barato" e o "Janeiro Brasileiro da Comédia", que começa dia 21. Fico feliz em saber que esses dois produtos culturais criados na minha gestão à frente da Secretaria de Cultura de Rio Preto se firmaram e hoje são sucesso na área de artes cênicas de Rio Preto. Volto a falar sobre eles mais para frente.
Depois de duas semanas descansando, estou de volta. Nesse período, o blog ficou hibernando para voltar com as baterias recarregadas. Inicialmente, vamos pôr a correspondência em dia. O No fronte agradece e retribui -- apesar do atraso -- os votos de boas festas de Jorge Vermelho, diretor do Teatro Municipal de Rio Preto; de Danilo Miranda, diretor regional do Sesc São Paulo; da diretoria do Curso Esquema Universitário; e da diretoria da CPFL.
O No Fronte agradece e retribui os votos de Boas Festas do vereador Marinho, Casa das Bombas; do presidente da Central Autônoma dos Trabalhadores-CAT, Laerte Teixeira da Costa; do deputado estadual José Carlos Vaz de Lima e sua esposa Ivani; do secretário municipal de Serviços Gerais, Paulo Paulera Ambrósio; do diretor-executivo do Jornal Bom D ia, Mário Saurin; e da diretoria da Expresso Itamarati.
Será o Aloysio? O paulista Robério Alexandre Bavelone, o Robério de Ogum, um dos mais requisitados médiuns do País, fez a seguinte previsão para a revista Isto É sobre o futuro governador de São Paulo.
ISTOÉ -- E o governo de São Paulo? Robério -- Será eleito o candidato do PSDB. O senador Aloizio Mercadante ganhará a candidatura petista de Marta Suplicy, mas perderá a eleição para o representante tucano. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso será muito cobrado dentro do partido para interferir na disputa paulista, eventualmente até apresentando a própria candidatura como solução de peso e suposto consenso para a disputa pesada que certamente será estabelecida entre os tucanos. Apesar disso, vejo surgir com mais chances um candidato novo, do interior de São Paulo, apoiado pelo governador Geraldo Alckmin.
O que ele disse e o que aconteceu
Janeiro 2004
Previsão "Lula estará cercado de pessoas pesadas, sem equil íbrio astral, que decidem muita coisa. A troca de ministros será constante. Movimentos contra o governo vão acontecer aos montes. A oposição vai crescer. Haverá cobrança social, com muitas greves. Será o fim da trégua." Fato Com exceção das greves, só tiro no alvo.
Previsão "As pessoas em volta de Lula começarão a brigar por poder e provocar rachaduras." Fato Tiro na mosca.
Previsão "Dificilmente Marta se reelegerá para a Prefeitura de São Paulo. Ela será de um homem do PSDB." Fato Mais disparos certeiros.
Previsão "Vejo a criação de dois novos partidos políticos, ambos com muita força." Fato Meio ponto. O PSOL veio; o segundo partido ainda não.
Previsão "Teremos muitos escândalos a partir deste ano (2004). Vamos bater o recorde de CPIs, com diversos escândalos financeiros. Vai haver uma caçada, principalmente de empresários. E não serão CPIs vazias, apesar de muitas surgirem para criar bombas em determinados momentos." Fato Tudo no alvo.
Previsão "Se o papa morre? Ah, sim. Este ano (2004). E deixará o cargo para um africano." Fato Tiro n'água
Previsão "Daiane dos Santos e o futebol ganharão medalhas de ouro nas Olimpíadas de Atenas." Fato